Essa "porra" toda
- Daniela Tenorio
- 6 de mai. de 2019
- 1 min de leitura
Pegou o busão lotado, o corpo já todo suado de um dia de trabalho, uma gotinha de suor desce ligeiramente pelas costas, fazendo cócegas, até o cóccix.. Em pé, olha da janela parada por parada, mochilinha ao lado do ombro, surrada. Espreita as horas no relógio falta pouco até à casa. O cair da noite desperta e o homem cansado, do dia árduo . Coitado.
A labuta, aliviada em tragos, em goles, em amores, em soluços, em risos, em gozo, suspiro ,a cada vez, ao mesmo tempo, o homem perdido na frenética rotina, acredita piamente nessa “porra” toda, vida .
E vive assim: A esmo, sem entender direito, como é que é isso. De vez em quando chuta a porta de casa, briga com as crianças, se cansa da esposa e foge pra rua, na ânsia do mundo, fugindo da “porra” toda.
O homem vagueia, no bar imundo cheio dos iguais, pede uma dose, pede uma cerveja, embriagado nas próprias incertezas da “porra” toda que ele não nomeia.
E dorme, cansado.
Amanhã tudo de novo, a “ porra” toda . Coitado.
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